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21 de jul de 2013

MiniFic- Love Story (1)

-Temos um problema imenso- Charlotte disse, com as mãos apertando as têmporas. Seus óculos guiavam seus olhos, que encaravam atentos todos os cantos da sala, a procura de uma alma salvadora.
-Cheguei para alegrar o seu dia, meu amor!- aquela figura apareceu, mais baba ovo do que o normal. Adentrou a sala e abraçou a professora que agora tinha um sorriso gigantesco estampado no rosto. Eu tinha muito medo daquele sorriso.
Apenas revirei os olhos enquanto a via corresponder. Joseph sempre fora assim com as professoras, sempre puxa saco. Era uma das muitas coisas que eu costumava gostar antes de odiar.
-Nunca fiquei tão feliz em te ver, Joe- ela disse animada. Eu já estava desconfiada do rumo que aquilo tomava. Na verdade, eu sabia o que estava prestes a acontecer, mas apenas tentava anular essa ideia na minha cabeça. Não, tudo, menos isso.
-Eu sei, estou melhorando a cada dia- sorriu largamente. O jeito convencido dele me dava vontade de ir embora.
-Estávamos ajustando o elenco para a peça da primavera e eu já estava achando que teria que chantagear algum aluno para fazer parte. Estamos sem o ator principal. Você será o par da Demi! Isso, problema resolvido. Os ensaios começam amanhã. Vou buscar o roteiro para você.
-É o que?- ele questionou, me encarando pela primeira vez desde que entrou ali.
-Eu desisto- anunciei, no meio do palco.
-Como desiste? Você é a principal! Agora que arrumei um par você desiste?
-Não, não, você não arrumou um par para ela- Joe disse confiante.
-Vocês adolescentes são sempre muito complicados- ela revirou os olhos- O teatro é a única atividade que ainda resta para vocês. Todas as outras já têm as vagas preenchidas. Joseph, você se inscreveu para alguma coisa?
-É... não, mas...
-Então- sorriu- Não tem desculpas.
-Mas meu Deus Joseph, qual o seu problema?- eu questionei.
-Meu problema?
-Porque você não se inscreveu, sei lá, pra marcenaria?
-Eu tenho cara de quem constrói casas de passarinho?- perguntou indignado.
-Não é melhor do que isso?- apontei para nós dois. Eu sabia a resposta.
-Qualquer coisa é melhor do que isso- murmurou.
-Ai ai, vocês só precisam de alguém que os compreenda- a professora disse calmamente, observando a cena como se apreciasse.
-Exatamente, Charlotte, então me compreenda e arruma outro par pra Demetria.
-Sabe o que eu vejo? Amor. Vocês sempre implicam um com o outro quando se gostam, é a ordem natural das coisas.
-Isso não é amor, nem nunca foi- ele disse a segunda parte mais para mim do que para ela. Eu não vou negar que me senti mal.
-Uhum... – ela concordou desconfiada- Não importa, já está resolvido. Você precisa de nota, Joseph, não tem muita escolha agora.
-Quem mandou ser burro?- eu perguntei, liberando um pouco da minha vontade de irritá-lo.
-Antes burro do que sozinho- sorriu cinicamente para mim. Bastou para que eu pegasse minha bolsa e descesse do palco.
-Procura outra pessoa, eu não faço nada com esse idiota- garanti firmemente, deixando a sala antes que ficasse pior.
Eu já havia derramado muitas lágrimas por ele, por isso eu jurei para mim mesma que não o faria de novo. Ele me fizera chorar e sofrer, então deveria estar sendo a vez dele de sentir o mesmo. Ou pelo menos ver que eu estava bem (ou aparentava estar). Mas não, parecia que ele não perdia a oportunidade de fazer com que eu me sentisse ainda pior. Ele me fazia perceber a cada dia o tamanho do erro que eu cometera ao amá-lo.
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-Achei que não viesse- ele disse, com um sorriso... meigo. Espera, eu disse meigo? Desde quando eu voltei a ver alguma coisa meiga nele?
-Vocês precisam de mim, fazer o quê- dei de ombros.
-A Charlotte precisa de você- ele concertou.
-A Charlotte e o resto do elenco. Se você não precisa de mim, não importa. Eu também não preciso de você.
-Mentir é feio, Demi- fazia muito tempo que ele não me chamava pelo apelido.
-Não é nada que possa se comparado ao que você faz- eu disse, tirando meu roteiro de dentro da bolsa e me dirigindo ao palco.
-Vamos começar!- o assistente de Charlotte gritou.
Joe bufou, nada discreto, e entrou na coxia. Eu tentava manter a maior distância possível, porque por algum motivo, ficar próxima a ele me deixava mal. Eu sentia algo estranho, e ele parecia querer ficar longe também.
Comentei que era um musical? Eu sempre tive... problemas para cantar na frente das pessoas, mas dizem que eu canto bem, e como eu também toco, isso incentiva as pessoas a me chamarem para esses espetáculos. Mas eu costumava cantar com Joe... era uma coisa que eu amava fazer.
Precisávamos de apenas uma coisa para realizar bem o trabalho. Química. A coisa mais impossível de acontecer entre nós era o que todos precisavam. Não existia nem clima mais entre nós, apenas rancor e raiva. Provocação. Como fazer papel de apaixonados?
-Gente, o que está acontecendo com vocês?- Charlotte questionou, parando o ensaio- Não se olham por quê? Parecem duas estátuas sem saber o que fazer.
-Será que é porque a gente não sabe o que fazer?- Joe perguntou. Ele era bom no quesito “cara de pau”.
-Vocês são um casal apaixonado, dois adolescentes no auge do amor. Nunca viram Romeu e Julieta não? Tudo bem que é uma “adaptação”, mas...
-Só uma perguntinha, qual o nome desse musical?- ele questionou.
-Você não se deu o trabalho nem de ler o roteiro? Nem o nome?
-Passei o olho...
-Love Story é o nome. E agora vocês subam já nesse palco e façam isso direito. Não é brincadeira, vocês precisam dar tudo de si, se empenhar.
-Quer dizer que eu sou Romeu?- Joe me perguntou, um tanto quanto feliz.
-Você não leu nem quem era sua personagem?
-Tenho mais o que fazer, Demi- revirou os olhos.
-Quando foi que você voltou a me chamar de “Demi”?- perguntei curiosa.
-Demi é meio que o seu nome pra mim, não um apelido-deu de ombros- Não é porque a gente parou de se falar que isso vai mudar.
.........
-Posso saber por que vocês não tem química juntos?- ela parou novamente a cena para nos repreender. É, estava sendo mais difícil do que eu imaginava.
-Você não pode nos culpar, você nos meteu nessa contra a nossa vontade- ele protestou se afastando de mim.
-E por isso vocês vão estragar o espetáculo?- questionou claramente chateada- Estão dispensados por hoje- anunciou para todos.
-Que inferno- bufou, mexendo no cabelo.
-Vocês dois- ela chamou- Precisamos ter uma conversa.
-Desculpa- pedi me aproximando- Não estamos fazendo de propósito.
-Desculpa?- Joe posicionou-se ao meu lado- Tantos anos puxando o seu saco e alegrando o seu dia pra você me colocar nessa, Charlotte?- eu tive que rir da indignação dele.
-Isso vai ser bom para você, Joe- ela afirmou- Eu sei como melhorar isso. Quero que sigam minhas instruções, tudo bem?
Joe e eu acabamos assentindo, depois de algumas muitas discussões entre os dois. Antes de impor suas tarefas, ela decidiu explicar tudo a Joe. Ele tocaria em diversas cenas do musical e faria um solo no piano. Me peguei imaginando a cena e me castiguei mentalmente por querer vê-la logo.
-Bom, meu dever de casa para vocês dois é: se conheçam melhor. Assim vocês conseguirão agir com mais naturalid...
-Tá de brincadeira, né?!- Joe a interrompeu- Não tem como a gente se conhecer mais do que isso- afirmou. Era estranho pensar que realmente nos conhecíamos.
-Então qual é o problema de vocês?
-O nosso problema?- ele pareceu apreensivo. Como explicar?
-Em minha opinião é falta de intimidade- Charlotte garantiu- E outra, vocês precisam de confiança. Se não confiarem um no outro, isso não vai dar certo.
-Não é falta de intimidade- ele negou e eu confesso que meu rosto estava quase queimando.
-Mas eu não confio em você- sussurrei. Eu precisava.
-Tá vendo?- a professora insinuou.
-Não esse tipo de confiança, Demi- resmungou, com raiva nos olhos.
-Confiança é confiança- eu dei de ombros. Eu me repreendia por isso às vezes, mas em vez de ficar quieta, queria jogar na cara dele de todas as formas possíveis que eu guardava mágoas.
-Muito bem, Demi, o primeiro passo é admitir- ela sorriu na minha direção enquanto Joe me lançava aquele olhar mortal.
-Muito bem, Demi, muito bem. Não podia simplesmente deixar passar?- ele perguntou.
-E porque eu deixaria passar?
-Pra não precisar “me conhecer”, “ganhar intimidade” e “aprender a confiar”- ¬¬- E porque você sabe que confia em mim.
-Eu não vou nem tentar entender vocês dois.
-O que nós temos que fazer, professora?- revirei os olhos ao fazer a pergunta. Estava de saco cheio de ouvir Joe me dizer as verdades que eu nunca conseguia admitir para mim mesma. O problema era que... eu não tinha como não confiar nele, mesmo depois de tudo. Ele ganhou minha confiança, ele me ganhou de um jeito que não é possível perder.
-Não é nada específico. Quero que passem um tempo juntos, dentro e fora do colégio e ensaiem juntos também. Quero que deem tudo de si nesse espetáculo.
-Posso dar “tudo” de mim, mas esse negócio de passar tempo junto é impossível, professora- ele afirmou.
-Vai rolar morte- eu completei.
-Que tal começarmos por um teste? Um teste de confiança. É uma etapa importante no teatro- ela afirmou.
-Lembra que isso é culpa sua- ele sussurrou para mim.
-O primeiro é para a Demi. Depois a tarefa será para os dois. Joe, você confia nela, certo?
-Ele não tem motivos para o contrário- eu murmurei.
-Ela é indiferente para mim- deu de ombros.
Nós fomos “obrigados” a fazer aquele teste onde um fica com os braços abertos esperando o outro cair sobre eles. Claro que eu fui a “vítima” e tive que me jogar. O problema era que mesmo quando eu era pequena e tentava fazer isso com meus amigos ou até meus tios e pais, eu não conseguia. Mas depois que eu disse para Charlotte que não confiava em Joe, ela não acreditaria em minhas histórias. Resultado: eu precisava me jogar.
-Anda, Demi- ele resmungou, depois de uns 10 minutos com os braços à minha espera- Até parece que nunca fez isso.
-Antes era mais fácil- eu disse irritada. Será que ele não entendia que me jogar nos braços dele enquanto namorávamos era diferente de simplesmente me tacar agora?
-Não tem nada de diferente. Você acha que eu vou te deixar cair?
Resolvi me jogar depois da pergunta. Se eu caísse, a culpa seria dele e eu sei que no fundo ele se sentiria culpado. Então, resolvi arriscar. Eu não tinha nada a perder. Afinal, do chão nunca passa mesmo.
-Satisfeito?- perguntei depois que ele me segurou firmemente.
-Finalmente- revirou os olhos.
-Perfeito. Um passo já foi dado. Agora, quero que fiquem um de frente. Vocês deverão olhar dentro do olho do outro, sem desviar o olhar nenhuma vez.
Fizemos o que ela pediu, mas é claro que mantivemos distância. Estaríamos mentindo se disséssemos que nunca vimos esse exercício. Joe e eu já havíamos feito teatro durante alguns anos e sabíamos do que se tratava. Sabíamos que...
-Vocês precisam ficar mais próximos- ela avisou e nós dois bufamos.
-Essa é de longe a pior ideia que você já teve, Charlotte- Joe resmungou- Não tem outro jeito de ganhar confiança sem eu ter que praticamente beijar ela?
-Achei que gostaria da situação- ela estranhou.
-Gostaria se fosse outra pessoa- ele respondeu.
A raiva cresceu dentro de mim. Eu odiava quando ele fazia esses comentários. Eu ficava martelando minha mente para tentar descobrir se era verdade mesmo.
Joe se aproximou mais e ficamos cara a cara. Mais alguns poucos milímetros e nossos lábios estariam juntos. Tentei não imaginar a cena, mas claro, falhei. Lembrei de todas as vezes em que ele me provocou dessa mesma maneira. De quando nossos lábios se tocavam depois de um longo tempo, do jeito como ele me olhava. Porque tinha que ser tudo tão igual e diferente ao mesmo tempo?
-Agora Joe, você começa a olhar para todo o rosto dela, principalmente para os lábios.
-Você só pode estar brincando- ele sussurrou ainda próximo de mim. Parecia vidrado no momento, tão vidrado que ao menos se virou para respondê-la.
-É um teste para ver se ela realmente confia em você.
-Então não deveria ser ela fazendo isso?
-Não, é mais difícil para ela do que para você- afirmou. Ah, com certeza seria mesmo- Além do mais, o que custa olhar para uma menina tão bonita? Aproveite o momento.
-Custa muito, Charlotte, muito- ele disse de saco cheio. Resmungou mais alguma coisa e começou a alternar a posição de seus olhos.
Eles me encaravam com ternura, e depois de um breve “passeio” pelo meu rosto, encararam meus lábios com uma intensidade incomum. Joe era bom nisso, eu me sentia completamente seduzida por ele.
Eu pedia mentalmente para que o teste acabasse logo. Quando menos tempo nessa situação constrangedora, melhor. Mas não, Charlotte queria nos castigar da pior maneira possível.
-Muito bem, vocês passaram no teste- anunciou alegre. Eu e Joe nos afastamos rapidamente, desviando o olhar e fingindo daquela forma estranha que nada tinha acontecido.
-Odiei isso- resmunguei.
-Mas é exatamente por isso que eu estou dando essa tarefa. Vocês devem aprender a conviver.
-Mas Charlotte você não está entendendo. Eu não quero passar um tempo com a Demi, eu não tenho nada para fazer nem falar com ela. Isso não vai dar certo, eu não suporto essa menina.
-Aprenda a suportar.
-Já tentei, e muito- garantiu.
-Agora o problema sou eu?- questionei.
-O problema sempre foi você- murmurou, me encarando de lado.
-Sabe de uma coisa? Você é estúpido demais.
-Quando você começar a falar bem de mim, eu vou te dar ouvidos.
-Eu acho que o meu erro foi ter falado bem de você em algum momento da minha vida- eu disse entre os dentes- Pode deixar, professora, eu vou dar o melhor de mim. Já o Joe, eu acho que ele não consegue dar o melhor dele em nada.
Deixei a sala novamente, magoada comigo mesma assim como da última vez. Isso não deveria acontecer, ele não deveria conseguir me incomodar tanto com suas palavras.
-Já está perdendo a graça essa coisa de sair da sala- ele disse se aproximando de mim.
-A minha intenção nunca foi fazer graça mesmo- retruquei.
-Da pra você andar mais devagar?- perguntou- Não tô afim de correr não.
-Eu não tô nem aí pro que você quer ou não fazer- murmurei- E não, não da pra eu andar mais devagar.
-Depois não diz que eu não tentei- avisou.
-Você nunca tentou fazer nada certo, porque tentaria agora?!
-Sabe o que eu penso sobre isso? Que é infantil demais. Você não é uma criança, Demi. Você acha que eu estou afim disso aqui? Não, mas não é por isso que eu vou ficar falando essas coisas ridículas.
-Você quer dizer “a verdade”?
-Você não pode dizer que eu nunca fiz nada certo, que eu nunca dei o meu melhor no que aconteceu entre a gente- ele segurou meu braço delicadamente, me virando para ele- Para de jogar essas baboseiras com duplos sentidos pra cima de mim.
-Eu acho tão engraçado como você se faz de vítima sempre- eu ri sem humor- Você acha que não falou nada, não é? Eu abri a minha boca pra falar “baboseiras” mas você não- respondi cinicamente.
-Você fala essas coisas sobre mim agora, mas há muito pouco tempo atrás você pensava exatamente o contrário.
-Você ainda não tinha me mostrado quem realmente era quando eu cometi o erro de pensar qualquer coisa boa sobre isso aí- apontei para ele.
-Quem eu realmente era?! É impressionante como até agora você não percebeu o quão estúpida conseguiu ser.
-Eu só fui estúpida uma vez na minha vida- eu disse- Foi quando eu achei que você podia me fazer feliz.
-E eu não te fiz feliz? Se você não acreditou em mim, se você ignorou tudo que aconteceu entre a gente e toda a confiança que você dizia ter em mim a culpa não é minha. Eu fiz tudo por você, Demi, eu fiz tudo que eu podia pra dar certo.
-Foi você quem terminou comigo- eu lembrei, prendendo o choro preso na minha garganta.
-Porque você desconfiou de mim.
-Você me traiu- minha voz falhou, mas a amargura presente nela permaneceu bem clara.
-Tá vendo? É disso que eu tô falando. Eu não vou mais perder o meu tempo tentando de dar explicações. A gente já se odeia praticamente, Demi, se eu dissesse que realmente te traí, nada mudaria. Então porque você acha que eu ainda tento mudar o que você pensa? Porque acha que eu gasto o meu tempo dizendo que não, eu não te traí?
-Eu quero que você e as suas explicações se explodam- gritei, saindo dali antes que ele dissesse mais alguma coisa que mexesse comigo.

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Cheguei no colégio disposta a falar com Joe. O problema era que eu não sabia o que falar. Sendo sincera, eu sempre quis ter uma conversa séria com ele em relação ao que aconteceu, mas sempre estive dividida entre “acredito” e “não acredito”. E se eu acreditasse nele, mas na verdade fosse tudo uma mentira?
Eu o encontrei, mas não tive coragem de me aproximar. Era muita babaquice da minha parte pensar que depois do que eu disse ele iria querer falar comigo.
Quando entrei na sala, Charlotte estava na frente de Joe, conversando com ele. As pessoas ainda ajustavam seus lugares e gravavam suas falas. Alguns tocavam seus instrumentos mas o que me surpreendeu foi o fato de Joe estar aqui. Ontem eu pensei que ele se recusaria a tudo isso.
Não o encarei e também não senti seus olhos sobre mim. Ele logo estava no palco, começando o musical com suas falas, perfeitamente decoradas. Eu acho que esqueci de comentar que ele era ótimo com teatro.
Dessa vez não fomos mal, muito pelo contrário. Quando entrei em cena, ele me encarava com um olhar imparcial e tinha uma postura firme. Não era como antes, quando ele apenas demonstrava o quão insatisfeito estava. Agora ele parecia agir como um profissional, o que me dava agonia.
-Parabéns para vocês dois...- Charlotte disse com um sorriso no rosto- Acho que meus conselhos funcionaram.
-Não fizemos nada do que mandou- ele respondeu sério- Só aprendi a não levar mais pro lado pessoal. Talvez será mais fácil fingir que não nos conhecemos.
-Se é isso o que estão fazendo... podem continuar, está funcionando- deu de ombros- Só queria que ensaiassem as músicas, assim podemos avançar na semana que vem.
-Tudo bem- concordou sem demonstrar emoção alguma- Eu vou indo.
-Espera- eu chamei e ele logo virou para me encarar- Você não quer ficar mais um pouco pra repassar as cenas?- perguntei.
-Não vou poder fazer companhia- Charlotte disse.
-Não tem problema...Que tal?- perguntei a ele.
-Pode ser.
Então ele pegou o violão e sentou-se em um canto, esperando o palco ser completamente liberado. Ele dedilhava uma melodia calma, que eu conhecia muito bem.
-Eu... não espero que fale comigo- eu disse, sentando ao lado dele- Mas você sabe que eu me acostumei a ficar na defensiva quando você está por perto.
-E você sabe como eu odeio isso- sussurrou, ainda prestando atenção no instrumento que ele tocava.
-Parecia que você já tinha se acostumado.
-Isso ta um saco, Demi. Cansei dessa palhaçada, falando sério. Eu vou levar esse negócio a sério e terminar logo o musical. Assim a gente pode voltar a se ignorar.
-Você não acha que a gente devia tentar fazer o que a Charlotte sugeriu?- questionei receosa.
-Eu não vou tentar nada amigável com você sabendo que vai ser a coisa mais falsa desse mundo só pra esse musical passar e depois você voltar a dizer que eu não faço nada certo.
-Não foi isso o que eu quis dizer, Joe- sussurrei.
-Eu acho que nós dois já dissemos tudo o que era preciso- ele se levantou e permaneceu parado em seu lugar esperando que eu fizesse o mesmo.
Ensaiar depois dessa mini conversa foi pior do que tudo. Maldita hora que eu fui sugerir isso, ou melhor, maldita hora em que eu falei aquilo tudo para ele.
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Continua...
Gente, eu já terminei de escrever mas tem 22 páginas então eu decidi não postar tudo. Vou postar a segunda parte logo, ok? Para tentar pelo menos um pouquinho compensar vocês por todo esse tempo que eu demorei para postar :)
Espero que gostem!
Mil beijos,
Brubs <3

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