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29 de abr de 2013

Capítulo Seis!


-Alguma ideia de como eu posso aproveitar meu domingo?- perguntou, jogada no sofá.
-Hum...tenho uma festa hoje- ele deu de ombros- Quer ir?
-De quem é? Algum amigo?
-Aham- concordou- Você pode ir, tenho o direito de levar uma acompanhante.
-Porque não leva aquela menina que esteve aqui?- questionou, inocentemente.
-Ela me xingou de muitos nomes e me acusou de estar ficando com duas ao mesmo tempo- riu sem humor- Prefiro que vá comigo.
-Ah, eu sou muito idiota mesmo- bufou- Sabe? Algumas vezes eu sinto que invejo a felicidade dos outros- revirou os olhos.
-Não era felicidade, era desejo- disse- E não, você não invejou nada. Só deu o troco. Eu supero- sorriu.
-Tudo bem, vou com você. Onde é?- se levantou- Qual o tipo de festa?
-É aqui perto, em uma casa alugada- respondeu- Aquele tipo onde vocês usam roupas curtas e coladas enquanto nós babamos- brincou.
-Fala sério- revirou os olhos- Um bando de vadia dançando pra homens safados? Não é o meu tipo- avisou.
-Posso te fazer companhia- sugeriu- Você vai gostar. Ah, e você tem meia hora para se arrumar- comentou rindo ao passar por ela em direção ao quarto- Vou tomar um banho.
-Ei, como assim? Nunca se deve avisar a uma mulher que ela precisa se arrumar em meia hora!
-Vai, você consegue. Está perdendo tempo...
-Ok, ok!
~~~*~~~~*~~~~*~~~~*~~~

-Pronta?- ele parou em frente a porta entreaberta.
A menina estava parada em frente a cama, apenas com uma toalha em volta do corpo. Parecia indecisa e era exatamente assim que se sentia. Sem saber o que escolher ou como decidir entre as duas peças sobre a cama.
-O que eu ponho?- perguntou, virando-se para ele. Sua maquiagem já estava feita, assim como o cabelo. Mas tudo estava bem natural. Uma beleza natural- Qual é mais bonito?
-Hum, deixa eu ver- ele se aproximou- Os dois são lindos- observou os vestidos. Um preto e um vinho- E ficariam lindos em você também- ela sorriu, tímida.
-Mas eu preciso de apenas um- disse manhosa.
-Tudo bem, o vinho- apontou para a peça de um ombro só e não muito justa no corpo, porém encantador- Preto é...comum demais.
A menina assentiu e ele continuou ali, olhando em seus olhos. Eram profundos e indecifráveis, tinham um tom castanho escuro, e com o preto ao redor chamavam mais ainda atenção.
-Eu acho que o meu tempo está passando- ela disse, envergonhada com o momento.
Joe riu e concordou, saindo do quarto e a deixando terminar de se arrumar. Agora ele a via como a menina frágil e doce que vivia em seu apartamento. E mesmo que não tenha tido muito tempo para descobrir isso, achava que ela seria uma boa amiga, uma boa companhia.
Vê-la com esses outros olhos não fora nada fácil, mas fora rápido, mais rápido do que ambos imaginaram. Agora, ela parecia real e sincera para ele, diferente de antes. Em apenas um dia ele a conhecera de forma incrivelmente surpreendente e gostara daquilo que descobrira em Demi.
-Uau- ele sorriu, vendo-a descer os degraus- Desse jeito não terá como escapar dos olhares nem dos meninos babando por você- comentou- Está linda.
-Ah, para- pediu, sorrindo.
-É sério- ele afirmou e ela corou, desviando o olhar- Podemos ir?
Ela assentiu e ambos saíram. Por mais que parecesse estranho, Demi era tímida demais e por isso um comentário sobre como Joe estava não escapuliu de sua boca. Mas ela prestara bastante atenção em cada detalhe. Desde o momento em que ele entrou em seu quarto, ajudando-a com o vestido, até ali, quando ele abrira a porta para que ela entrasse. Não estava muito arrumado, mas ele tinha charme próprio. Um sorriso sedutor e um corpo de dar inveja. Chegava a dar raiva de tão bonito que era.
-Agora eu me dei conta de que estou indo a uma festa, para a qual não fui nem convidada e onde não conheço ninguém além de você- ela sussurrou.
-Isso é um problema?- sorriu de lado.
-Claro...eu já te contei sobre os meus problemas sociais- resmungou.
-Não precisa ficar na defensiva. Apenas seja você mesma e eu tenho certeza que agradará a todos- garantiu- Então...primeiro as damas- fez um gesto para que ela entrasse primeiro. A menina sorriu e passou pela porta.
A música alta entrou por seus ouvidos logo em seguida. Algumas luzes piscavam e a casa é imensa. Tinha um balcão central, grande também, com muitas bebidas. Alguns garçons e garçonetes, uma penumbra e gente dançando.
-Joe!- um menino, também muito bonito, se aproximou com uma garota- Vejo que trouxe mais uma para a gente- comentou, me encarando com um sorriso malicioso- Que gata- sussurrou.
-Vai com calma, Wesley- Joe pediu- Não vai assustá-la logo de cara.
Ele fez sinal de inocência com as mãos. Demi apenas se perguntava se aquela menina, colada a ele, não se importava com os comentários.
-É sua namorada? Ficante?- ele questionou.
-Uma amiga- Joe respondeu- Eu vou falar com o resto do pessoal- avisou e puxou Demi pela mão.
-Aquele era...?
-O dono da festa- disse- Ele é assim mesmo, não se preocupe- sorriu na direção dela -Vai ficar bem?- ele questionou, depois de tempo suficiente para ela se acostumar com o novo ambiente.
-Você vai me deixar aqui sozinha?- questionou inconformada.
-É só por alguns instantes...é que eu quero falar com algumas garotas e não vai ser legal se elas me verem com você- explicou.
-Tudo bem- suspirou- Vai lá, garanhão!- incentivou-o, fazendo-o rir.
Antes disso, Joe a apresentou a alguns amigos e amigas, mas a menina saiu de perto depois de algumas poucas palavras serem trocadas. Sentou em um lugar mais quieto e observou Joe conversando com uma menina. Ela era alta, linda. E por segundos ela chegou a pensar "nossa, ela é sortuda". E sim, ela era. Assim como todas que tinham o privilégio de terem ele como um amigo, pelo menos. É claro que algumas tinham uma sorte extra, mas o menino era realmente especial em vários sentidos e ela entendeu rapidamente porque Caty se apaixonara perdidamente por ele a exatos 3 anos atrás.
Sentiu-se mal por vê-lo junto de outras sabendo sobre como o amor que sua amiga sentia era forte e verdadeiro. Já a ouvira chorar diversas vezes e já a consolara muitas também. Um amor não correspondido não é fácil, muito menos com o carinho que ele demonstra por ela. Achava que, na pose de melhor amiga, deveria mantê-lo afastado daquelas meninas todas, mas depois se tocava de que não tinha esse direito. Ela não poderia se meter entre eles, porque ao ajudar Caty, ela atrapalharia Joe. E nesse momento, ela gostava de tê-lo por perto.
-Meus amigos não passaram no teste?- brincou, sentando ao lado dela com dois copos nas mãos- Trouxe para você- entregou a ela, que sorriu.
-Obrigada- agradeceu- Não...eles são super gente boa, mas...
-Não teve tempo de conhecê-los para dizer que são gente boa- a interrompeu.
-Mas já estão com outras companhias- concluiu- E você? Te vi com a loirinha...- comentou.
-Não queria te deixar aqui sozinha- disse- E...acho que a vontade de ficar com uma delas sumiu.
-Ah, por favor- revirou os olhos- Sua vontade de ficar com uma garota sumiu?
-Com uma delas- concertou- São sempre as mesmas pessoas- deu de ombros.
-Aposto que você é que já ficou com todas que estavam disponíveis- riu brincalhona.
-Pode ser- deu de ombros- De qualquer forma, eu te trouxe aqui então vamos aproveitar a festa.
-Olha, eu estou bem, de verdade- ela afirmou- Não me incomodo mesmo por ficar sozinha, estou acostumada.
-Quero te fazer companhia- ele disse calmamente- Dançar? Que tal?- sugeriu. A menina fez uma careta de desgosto, acompanhada por um sorriso meigo- Ah, vamos! Eu sei que quer...-provocou.
Joe a puxou pela mão, levando-a até o centro da pista. Não estava vazio ali, o que os fez permanecerem próximos. Ela não dançava como as outras meninas ao seu redor, mas não sentia que precisava disso. Ela estava bem e ele sentia o mesmo. Sua presença ali já era o suficiente. Joe não queria uma menina que se esfregasse nele.
Dançaram de seu próprio jeito, em meio a gargalhadas.
-Ei, vai fugir agora?- o menino segurou seu braço, sorrindo em sua direção.
A melodia suave invadia a cabeça de Demi, provocando nela a vontade de permanecer junta a ele. Bem próxima. Muitos haviam saído, porém outros tomavam seus lugares. Aqueles que gostavam desse tipo de música, que queriam realizar esse tipo de dança. Casais.
-É que...é muito lenta- ela disse, voltando-se para Joe.
-Você não gosta?- questionou- É a última.
-Eu amo- ela sorriu.
Joe passou uma de suas mãos ao redor da cintura da menina e a trouxe para bem perto. Seus rostos teriam se tocado se não estivessem em direções diferentes. Primeiramente, ela estranhou aquilo. Era Joe, porém era como se fosse um estranho. Ou talvez apenas o momento parecesse errado. Mas ela não se importou. Jogou seus braços ao redor do pescoço dele e aproximou a cabeça da nuca do menino. Moviam-se lentamente, conforme o som que ouviam e às vezes eles conversavam através de sussurros no ouvido.
Repentinamente, ele levou uma de suas mãos até a nuca dela. A menina ergueu o rosto, que ficara na altura do dele. Joe colocou uma mecha de cabelo para trás da orelha de Demi, que sorriu com o gesto, sorriu ao perceber como ele a olhava.
E nada mais importou depois daquele momento. Seus lábios se colaram com delicadeza e ambos se envolveram em um beijo cheio de carinho. Ela sentiu as mãos de Joe alizando sua cintura e se aproximou mais, deixando-se levar pelo momento. Além de lindo, paciente, amoroso, ele ainda beijava bem demais.
Prendeu uma de suas mãos no cabelo dele enquanto a outra se dirigia para a nuca. Era um beijo calmo, de acordo com a música. Ambos não tinham pressa, porém nem vontade de acabar com o momento. Sorriram entre o beijo e Joe mordeu o lábio inferior da menina, enquanto acariciava seu rosto macio. Dançaram juntos até que a música acabasse, permanecendo apenas juntos, curtindo o momento e ao mesmo tempo sem saber o que falar.
Mas eles não precisavam de palavras. Rindo, Demi caminhou para fora da pista, que agora estava mais cheia ainda e com uma música alta e animada e Joe a seguiu, abraçando-a por trás. Eles se escoraram no balcão de bebidas e começaram conversar com algumas pessoas. Não tinha nada de estranho entre eles. Apenas estavam em uma festa trocando alguns beijos, o que não significava absolutamente nada. E não sei exatamente como, mas Demi não pensou em Caty enquanto estava ali. Talvez porque ela soubesse que, se a imagem de sua amiga viesse em sua cabeça, ela seria obrigada a parar com aquilo. E não, Demi não queria.
-Esqueci de mencionar que você é a garota mais bonita dessa festa- ele sorriu, vendo-a desviar o olhar.
-E você é o mais gato dessa festa- ela piscou e ambos riram- E aquela sua vontade de ficar com alguma menina, não tinha sumido?- perguntou, brincando.
-Com uma delas, Demi- ele respondeu- Demorou para entender o que eu queria dizer.
-Ah, claro- sussurrou envergonhada.
Joe sorriu em sua direção e colocou suas mãos ao redor do corpo da menina. Juntou seus lábios novamente e assim ficaram durante muito tempo. Ele tinha um jeito especial de não deixar o clima estranho. Era impressionante. Desceu os beijos para o pescoço dela, que recebeu o gesto sem nem pensar duas vezes. E a festa seguiu assim. Os dois juntos, implorando pela companhia um do outro.
-Você sabe dirigir, não sabe?- ele questionou, quando a festa já estava no final. Joe percebera que Demi queria ir embora, mas era de costume ficar bem até o finalzinho. Ele não se importava em chegar bem tarde em casa, mesmo que no dia seguinte tivesse que acordar cedo e ir para a faculdade. A menina assentiu e ele lhe deu a chave do carro- Pode ir, eu vou demorar só mais um pouquinho aqui.
-Mas já acabou praticamente- respondeu confusa.
-É tradição ficar até o fim- brincou, rindo- Sabe como chegar no apartamento?
-Acho que sei- ela sorriu.
Saíram juntos, indo até o carro. Joe tinha uma de suas mãos nas costas da menina e quando chegaram ao automóvel, ele abriu a porta para que ela entrasse.
-Então me liga, qualquer coisa- ele disse- Te vejo mais tarde.
Ele sorriu na direção dela e lhe deu um abraço carinhoso. Beijou o canto da boca da menina rapidamente e a viu sorrir também. O tempo que durou a troca de olhares foi curto, mas foi suficiente para entender que o que tinha acontecido estava acabado. Ela já sabia disso.
Joe deu as costas, caminhando para dentro da casa novamente e ela deu a partida. Jogou a cabeça para trás e suspirou, sorridente. Aquilo fora... mágico.

Continua...

E aí? *-* hehehe eu não minto, viu? Falei de pegação e não deu outra \o\o
Comentem, amores!

Amo vocês,
Brubs <3



28 de abr de 2013

Selinhos e divulgação!

Meus amores! Eu sei que devo um capítulo à vocês e vou postá-lo amanhã, tudo bem? Hoje eu vim fazer uma divulgação que ficou faltando (não esqueci!) e repassar uns selinhos que eu recebi *-*

Primeiro, deem uma passada nesse blog > Stories Diley :)

Agora, os selinhos! A Sammy me passou 2, e um deles já faz um tempinho... hehe mas eu vou repassar assim mesmo ;) Antes de tudo, obrigada linda, de verdade! Sabe que eu te amo e te agradeço por tudo, não é?! <3

1º selinho \o

1 - Qual foi a primeira fic que você leu?
Me desculpem, mas eu não faço a MÍNIMA ideia! hahaha caramba... faz é tempo, hein? Olha, eu me lembro de alguma coisa relacionada a fantasmas, sei lá o.o eu lembro só que joguei no google e abri as primeiras que apareceram lol 

2 - O que mais te inspira no dia-a-dia?
Eu acho que com certeza ler, ouvir músicas e viajar um pouco nos pensamentos me inspira bastante!

3 - Qual o seu casal preferido: Jemi ou Nelena?
Jemi, não tenham dúvidas! *-* Eu sou mais Niley do que Nelena, eu amo de paixão Jelena mas também amo Miam, então... é, Jemi mesmo, com certeza! haha

4 - Diga um blog que não vive sem.
No momento eu vou ser sincera, mal tenho procurado blogs pra ler, estou deixando até pra depois porque não tenho tempo... então eu estou vivendo "acompanhando" só. E eu não vivo, de jeito nenhum, sem o blog da Sammy (Stuck In The Past) e sem as fics da Cacau :)

5 - Se considera uma boa escritora?
Cara... eu me acho boa às vezes, porque vamos combinar, todo mundo aqui já abriu um blog pra ler e simplesmente odiou a história e a pessoa escrevia super mal enfim... haha (desculpa gente, mas isso acontece comigo frequentemente) e nessas horas eu gosto do que escrevo. Mas olhando pra trás, nas primeiras fics, eu odeio tudo, sério. Tem gente que diz que eu sou boa, mas acho que eu "dou pro gasto" ;)

6 - Diga 5 músicas que você ama:
Cara... mas que perguntinha complicada, hein?!
Heart Attack
Pompoms
Come & Get It
Shine A Light
Love Affair
 (no momento u.u)

7 - Diga três músicas que você não suporta:
Qualquer coisa relacionada à funk, pagode, forró, sertanejo até vai... (algumas, mas só porque grudam mesmo) e... bom, eu não gosto de música brasileira. Pois é. Existem algumas, claro, mais antigas e até novas, que eu amo. Só que... no geral, não da pra mim :/

8 - Diga 5 coisas sobre você:
Eu sou ciumenta demais
Me cobro muito em relação à tudo que eu faço
Quero ir para NY, por favor, me levem e me arrangem uma casa e um americano gato
Não sou lá a pessoa mais animada desse mundo, porque sinceramente, me faltam motivos pra isso
E... eu não vivo um dia sem música 

9 - Repasse para 5 blogs:
Gente, desculpa, mas como eu disse, nem tenho 5 blogs aqui pra repassar... então eu vou repassar para esses:
É isso :)

2º selinho *-*

1 - Sonho?
Morar em Nova York e casar com o Joe \o 
Outro sonho é que Jemi volte <3

2 - Medo?
Acho que...continuar vivendo a minha vida do jeito que eu estou fazendo. Eu tenho muito medo do que pode acontecer no futuro se eu continuar tentando fugir de tudo, se eu não tomar coragem para algumas coisas.

3 - Tem amigas virtuais?
Tenhooooooo <3 A Giulia foi uma amiga virtual que eu fiz e nós acabamos virando amigas na vida real também e ela é meu anjo eu amo demais essa menina! A Júlia é outra, nós temos uma história cheia de coincidências (haha *-*) e eu amo demaaais ela também <3 Infelizmente eu não posso conhecer todas as minhas amigas virtuais, mas a amizade da Sammy é importante demais pra mim, muito mesmo e eu também amo muito ela <3
Existem muitas outras, claro! Eu não vou falar todas aqui (o.o) mas eu tenho muito amor por todas elas <3

4 - Tem namorado?
HA-HA-HA quem me dera.
Podem me arrumar um já, ok?! Agradecida!

5 - Rock ou Pop?
Eu acho que em relação à Rock eu sou bem mais seletiva. Pop é mais comum pra mim, mas eu amo os dois <3

6 - Felicidade?
Alguns momentos que ficam marcados... é isso que me faz continuar aqui. Compensa os momentos ruins.

7 - Música?
Muito difícil, difícil demais. 

Repassando para os mesmos do 1º selinho *-*

Beijooooos! Amo vocês e obrigada again, Sammy sua linda <3


Brubs <3


26 de abr de 2013

Capítulo Cinco!


As nuvens tapavam o sol lá fora e hoje fora a vez de Joe acordar com uma dor de cabeça horrível. Olhou para os degraus receoso por talvez encontrar com ela lá em baixo. Imaginava que ela ficaria trancada no quarto por horas e mais horas, e bom, até agora era o que ela fazia. Ele a ouvira chorar a noite todinha, todinha mesmo, porque nenhum dos dois havia dormido. Não conseguia associar a imagem da menina arrogante com a sensível. Parecia algo de outro mundo ouví-la chorando e por certa razão, isso o machucava.
Mas quando Joe chegou na cozinha, teve uma surpresa. Havia café pronto e alguns sanduíches em um pratinho. Demi estava sentada no sofá, toda encolhida, segurando uma xícara nas mãos. Seus olhos estavam vermelhos e inchados e ela olhava o objeto em suas mãos. Seus pensamentos estavam longe e sua expressão era de dar dó.
-Bom dia- ela sussurrou. Era a primeira vez que ela dizia essas palavras a ele. E logo nesse momento. Não desviou o olhar da xícara, mas sentiu a presença dele por perto.
-Bom dia- ele fez o mesmo, tomando um gole de café.
Assim que ele se sentou, seu celular começou a tocar em algum lugar. Logo ele achou em cima do móvel, junto com sua blusa que ficara lá desde a noite de ontem. Olhou o visor: Caty.
-Oi, princesa- ele sorriu. Precisava fingir que estava tudo bem, pelo menos com ela.
A conversa seguiu, muito animada. Caty era assim, alegre até demais. Depois de um grande interrogatório, ela pediu para falar com Demi.
-Caty quer falar com você- ele se aproximou, entregando o Iphone à ela.
Demi encarou Joe rapidamente, pegando o aparelho. Ela com certeza chorara muito mesmo. Saiu correndo dali e se trancou no quarto. Estava na hora de desabafar com alguém.
-Eu não consigo- ela sussurrou- Por todo lugar que passo as pessoas me odeiam- uma pausa- Não, não é só um "momento passageiro", Caty. Ninguém gosta de mim.
Joe ouvia atentamente a tudo que ela dizia, ouvia também sua voz chorosa. Podia sentir as lágrimas escorrendo pelo rosto delicado da menina.
-Não, o Joe não fez nada- ela negou, certa de si- Ele é uma ótima pessoa, assim como você tinha me dito. Eu só...sinto como se não tivesse ninguém.
Respirou fundo e se controlou para não abrir a porta. As palavras dela pareciam sinceras.
-O que? Ficou louca?- Caty parecia ter dito um absurdo- Eu não vou conversar com ele sobre os meus problemas. O Joe não te obrigação nenhuma de me ouvir. Ele já está deixando eu morar aqui...
Realmente, ele não se imaginava tendo qualquer conversa com Demi.
-Não é isso, eu acredito em você, sei que posso confiar nele- disse- Mas...ele não pode me ajudar. A minha vida está uma completa porcaria.
Talvez se ela não espalhasse tanto ódio...
-Eu não estava brincando quando disse que qualquer coisa era melhor que viver agora.
Então ele permaneceu ali durante um tempo. Ouviu toda a conversa mas se afastou no final. Porém ela ainda falava... dessa vez com Milla.
-Ele estava certo, bebê- ela sussurrou- Ninguém me ama e nem vai amar porque eu sou estúpida demais com todo mundo. Mas não é de propósito...- soluçou- Eu juro que não é- disse entre lágrimas e mais lágrimas.
Ele saiu de lá e foi para seu quarto. Depois de algum tempo, ouviu passos se aproximando e Milla entrou em seu quarto, abrindo a porta, seguida de Demi.
-Desculpa, eu só queria devolver seu celular- ela disse, se aproximando para entregar a ele.
Joe a olhou dos pés a cabeça. Estava toda de preto, com um all star, uma saia um pouco colada por cima de uma meia calça. Ela também tinha um sobretudo, muito parecido com o que usara no dia da chuva. Sua bolsa estava pendurada no ombro e ela também tinha uma touca preta na cabeça. Estava linda demais.
-Vai sair?- perguntou, curioso.
-Vou dar uma volta por aí- deu de ombros, dando as costas.
-Você sabe andar por aqui?
-Não me importarei se me perder- sussurrou- Eu vou ficar atenta- afirmou.
Ela saiu sem dar a ele chances de falar. Mas por algum motivo, ele sentia que precisava dizer a ela muito mais do que um "ok".

~~~*~~~*~~~*~~~*~~~*~~~

Demi estava demorando demais para voltar e ele já estava preocupado. Não deveria tê-la deixado sair sozinha. Não depois de ouvir algumas coisas que ela dissera.
Pegou a coleira de Milla e vestiu alguma coisa mais quente. Deixou o apartamento e foi caminhar com a cadela pelas ruas da cidade. Demi não poderia ter ido longe. E ele estava certo.
Milla se soltou da coleira, de algum jeito, e correu em uma direção específica. Demi a recebeu de braços abertos enquanto Joe se aproximava rapidamente.
-Você a encontrou, hein?!- ele sorriu, acariciando a criaturinha que balançava o rabinho, amando a atenção que recebia- Estava te procurando- disse a ela.
A menina estava sentada na calçada, uma bem movimentada. Muita gente passava por trás dela, a maioria como Joe, levando o cachorro para passear. Ela estava de cabeça baixa e alisava o pelo de Milla sem olhar para o menino uma só vez.
-Eu...fiquei por aqui mesmo. É perto e eu saberia voltar- deu de ombros.
-Será que...tem como você me ouvir? Sem brigas?- perguntou.
-Antes eu queria te agradecer- ela virou seu rosto para encará-lo. Joe estava sentado ao seu lado- Por ontem. Eu não estou sendo cínica, é verdade. O que você me disse, eu precisava ouvir aquilo.
-Não precisava- ele negou- Me desculpa. Eu não tinha a intenção de te magoar, apesar de isso parecer tolice minha. Eu peguei pesado com o que eu disse.
-Ta tudo bem, Joe- suspirou.
-Eu só disse aquilo porque estava confuso, Demi. E eu ainda estou- confessou- Desde o primeiro dia você pareceu me odiar e eu não sei o porquê disso.
-Me perdoa- pediu com lágrimas nos olhos- Eu te juro que eu era a pessoa mais doce e ingênua da face da Terra. E eu ainda sou. Mas...eu costumo tratar pessoas que eu não conheço assim. É como uma proteção que eu criei. Eu sinto que se for assim, eu estou "imune" dos medos e mágoas.
-Isso costuma funcionar?- questionou, secando uma lágrima que escapulira dela.
-Aham- assentiu- Mas ninguém nunca teve coragem de me dizer nada como você. Eu fui sim estúpida, idiota e todo o resto que você disse. Estava certo, é impossível alguém me amar ou sentir pelo menos carinho por alguém com um coração de pedra como eu.
-Vamos fazer o seguinte- ele se aproximou mais, com um sorriso meigo e a fez olhar dentro de seus olhos- Eu esqueço o que aconteceu. Mas você também vai ter que esquecer o que eu te disse. E aí começamos de novo, sem ódio.
-Eu aceito uma parte da proposta- sorriu inocentemente- Mas não quero esquecer o que me disse. Eu não quero e...não consigo.
-Foi tudo da boca pra fora. Eu não te conheço direito e não posso tirar nenhuma conclusão, eu não posso julgá-la e não deveria ter dito nada daquilo. Só estava com raiva.
-Você me conhece o suficiente para ter certeza de tudo que falou- ela afirmou- E eu? Não te conheço e já cheguei te odiando. Você está certo nessa história, não eu. Você pode dizer que realmente acha aquilo sobre mim. Não precisa mentir, sério. Eu entendo.
-Ok, tudo que eu falei era realmente verdade. Eu pensava isso sobre você mas não penso mais, tudo bem?- acariciou sua bochecha- Vai, aceita minha proposta- pediu.
-Você...é mesmo uma pessoa muito boa- ela comentou pensativa- A Caty tem muita sorte em ter um amigo como você. Mesmo depois de tudo...você me pede para esquecer e me da outra chance...inacreditável.
-Você não quer roubar um pouco da sorte dela?- sugeriu, brincalhão.
-Obrigada, por...isso. Por ter me aguentado e por me deixar ficar no seu apartamento- ela disse- Acho que não tive essa oportunidade ainda.
-Tudo bem- sorriu- Então, você se junta a nós para um passeio?- perguntou animado.
Joe se levantou, ainda com um sorriso no rosto e esticou sua mão para ela. Demi não podia acreditar que realmente fora tão idiota a ponto de usar e abusar da grosseria com ele. Não era preciso esse "escudo", Joe não era do tipo que a magoaria. Ela sabia disso.
Sorriu com ele e segurou sua mão. Sentiu-se bem pela primeira vez em muito tempo. Joe pegou Milla e a prendeu na coleira novamente, pronto para seguir com o passeio.
-Porque não me fala mais sobre você?- ele perguntou- Não nos apresentamos como deveríamos.
-Acho que...qualquer coisa que eu fale será em vão, já que eu dei a entender que...
-O que você me prometeu mesmo, hein?
-É que...eu não acho que seja possível você me ver com outros olhos depois do que eu fiz. Ah- suspirou- Me desculpa por ter estragado o seu encontro ontem- fez uma careta- Nossa, eu me sinto péssima...
-Não liga pra isso- pediu- Eu nem a conhecia direito- deu de ombros- Era só...
-Diversão?- completou, um pouco incomodada com aquilo. A irritava o fato de como alguns garotos somente se importavam com isso, deixando de lado os verdadeiros sentimentos.
-Ham... sim- confessou, rindo sem humor.
-Achei que tivesse uma namorada- ela disse.
-Parece que a Caty não te contou nada sobre mim, né?
-Ah, muito pelo contrário- afirmou, rindo. O único assunto que realmente ficava fora eram as namoradas dele. Algo que Caty não se sentia confortável o suficiente para falar sobre.
-Se eu tivesse uma namorada, provavelmente ela terminaria comigo quando soubesse que você moraria lá em casa. Ou melhor, quando soubesse que eu aceitei isso.
-Não...ela veria como nos odiamos logo de primeira- deu um sorriso tímido.
-Ela não acreditaria nisso...
-Eu não tenho culpa se você não é confiável- u-u
-Mas eu sou!- afirmou, sorrindo- Só que não tenho culpa por quase toda a população feminina ser ciumenta ao extremo.
-Duvido que já tenha conhecido uma menina realmente ciumenta...
-Sua melhor amiga- respondeu obviamente- Quer exemplo melhor? A Caty é mais do que ciumenta.
-Não comigo.
-Ah, mas comigo pode ter certeza que ela é.
-Mas então- mudou de assunto- Quer dizer que você joga basquete? Você faz faculdade de que?
-É, eu não te disse isso- ele fez uma careta- Mas além do basquete, eu faço engenharia. A mesma que você.
-Jura?!- sorriu surpresa- Porque não me disse antes?
-Olha, não leva a mal, mas eu achei que você fosse pedir transferência se soubesse.
-Ops- riram juntos- Mas...não vamos fazer juntos, não é? Você é mais velho que eu.
-Aham, tenho 19- deu de ombros- Um aninho só.
-Quando resolveu morar sozinho?
-Eu me mudei quando tinha 17- disse.
Joe e Demi passaram horas e mais horas conversando. Era impressionante como não cansavam de andar ou falar. Milla já tinha a língua para fora, ofegante, implorando para uma pausa. Mas aqueles dois não estavam nem aí para nada. Nem mesmo para a chuva forte.
Era sempre assim nessa época do ano em Nova York. Chuva, frio, principalmente à noite. E foi suficiente para ambos chegarem ensopados no apartamento. Porém rindo. Rindo demais.
-Eu acho que nunca ri tanto assim- ela disse, subindo a escada, sendo seguida por ele.
-Sou muito engraçado, eu sei- gabou-se e ela sorriu largamente- Agora é melhor nós tomarmos um banho porque ta muito frio aqui.
Ela assentiu e cada um foi para o seu quarto. Joe terminou seu banho rapidamente e vestiu apenas uma calça leve. Pretendia ascender a lareira, então não era preciso a camisa. Essa era uma das vantagens de morar na cobertura de um prédio chique. Ele tinha o privilégio de ter sua própria lareira.
-Hum, que cheirinho bom- ela se aproximou, vendo dois pratos bem arrumados sobre a mesa- Não é que você sabe mesmo cozinhar...-comentou.
-Vantagens de morar sozinho.
Joe parou para observá-la enquanto colocava suco no copo. Ela usava uma calça larguinha e uma blusa de manga comprida, e continuava encantadora. Já ele... ah, aquilo desviava a atenção de Demi a todo momento.
Eles comeram juntos, mas tiveram uma ideia melhor. Logo estavam na sala lá em cima, aquela que mais parecia um cinema, vendo um filme juntos. É, quem diria que seria possível haver paz entre aqueles dois...
Continua...

eeeeeeeeeeeeeeeee a briguinha acabou eeeeeeeeeeeeeee \o\o hehe
Bom, agora esses dois são amigos... então o que vem por aí?... pegação, claro hahahahaha
brincadeirinha.... ou não.
Comentem, ok? Obrigada!!

Beijinhos,
Brubs<3

24 de abr de 2013

Capítulo Quatro!


Estúpida, grossa, sem coração.

-Vai sair?- ela perguntou, vendo-o com o celular e as chaves na mão.
O menino vestia uma camisa polo preta, não muito justa, e uma calça jeans escura. Seu cabelo estava bagunçado como sempre e o delicioso perfume invadia tudo no apartamento. inclusive Demi.
-Tenho um...encontro- deu de ombros- Eu volto tarde- avisou- Não me espere.
-Eu não iria fazer isso- respondeu, como se fosse algo óbvio. E era.
-Você vai sair ou fazer alguma coisa?- perguntou distraidamente.
-Às 23:30? O que eu posso fazer a essa hora?
-Errado. Em um sábado à noite- ele disse- Pelo que eu sei, suas aulas começam segunda. Deveria aproveitar. Boate, quem sabe.
-Não curto- revirou os olhos- Vem cá, como sabe sobre os meus estudos?
-Jogo basquete na sua faculdade- ele explicou- Seremos colegas, não é legal?- sorriu cínico.
-Que maravilha!!- fingiu empolgação- Será que nem lá eu vou ter paz?- murmurou para si mesma.
-Vou indo. Não deixe ninguém entrar, ouviu?- ele disse e ela assentiu- Qualquer coisa me liga.
-Não tenho seu celular- lembrou.
Ele mexeu no aparelho em suas mãos e em segundos o celular dela começou a tocar em algum lugar distante.
-É só salvar lá- deu de ombros, pronto para sair.
-Espera! Como tem meu número?
-Caty me passou, caso acontecesse alguma coisa.
-O que mais ela fez que eu não sei?
-Nada...ela só me contou algumas...histórias comprometedoras- sorriu maliciosamente.
-Hã?- ela questionou, espantada.
-Ei, calma, era brincadeira- o menino riu- Porque? Existe alguma?
-Não, claro que não- desconversou- Anda, vai logo antes que perca seu encontro- o empurrou para fora com agilidade.
Joe apenas riu, ainda curioso, mas preferiu ignorar isso. Nunca que conseguiria ter uma conversa com ela onde lhe contasse alguma coisa sobre sua vida. O pouco que ele sabia era devido à Caty, porém já era suficiente. O que importava agora era a menina que o esperava em um restaurante ali perto. Era uma qualquer que ele conheceu a um tempo, em uma festa. Não renderia nada demais além de uma boa noite, coisa que ele estava precisando.
Desde que Demi se mudara, (que tinha o que? 2 dias?) ele não tinha muita paz. Nunca pensara que morando em seu próprio apartamento, sozinho, teria que, um dia, aguentar tamanha chatice. Ela era linda, era gostosa demais, porém o odiava. Se não fosse esse pequeno e grande detalhe, se a menina fosse apenas difícil de se conviver, ele não teria tanto trabalho, não precisaria nem sair de casa para ter o que queria.
Avistou-a sentada em uma cadeira, com um vestido curtíssimo e aquele sorriso provocante em sua direção. Sorriu consigo mesmo e caminhou, sentando-se ao lado dela.

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-Ai, Milla, ele demora mesmo assim sempre?- ela bufou entediada- Que coisa mais chata!
Algumas horas já haviam se passado desde que Joe saira e aquilo estava ficando irritante. Ela não tinha nada a ver com o encontro dele e mal se importava com isso, porém quando estavam os dois naquele apartamento, ela se sentia menos só. Mesmo que não se falassem quase, brigar com ele já lhe dava o prazer de estar com alguém.
Tentou ver filmes, comeu tudo que encontrou pela frente e brincou com Milla, como se a linda cadela pudesse a ouvir e responder à suas perguntas. Quando seus olhos estavam quase se fechando, ela ouviu algumas risadas e passos no corredor. E ela sabia muito bem de quem eram. Lembrava-se claramente das gargalhadas ontem. Lembrava-se dele rindo e essa cena se repetia em sua cabeça agora. A outra voz era de alguma mulher...e estavam cada vez mais próximos. Quando ouviu a chave na fechadura, ela correu para seu quarto.
-Shii- ele calou-a com outro beijo, em meio aos risos. A menina tirou sua blusa com rapidez e ele tratou de fazer o mesmo com a dela. Os beijos intensos começaram.
Demi observava tudo de um ponto seguro, de cima da escada. Primeiro a expressão em seu rosto era de nojo. Ela não queria ver aquilo acontecer. Depois...ela sentiu coisas que não conseguia identificar. Aquela cena trazia lembranças à ela.
Joe e a menina se envolviam cada vez mais e pareciam mais dois desesperados. E claro, a raiva e a vingança começavam a voltar com tudo na cabeça da menina. A brincadeira dele havia sido muito sem graça, mas o troco que ela daria não seria nada demais. Joe conseguiria qualquer uma com um piscar dos olhos, não seria difícil substituir essa.
-Ai- ela gritou um pouco alto demais, propositalmente, é claro.
Demi se jogou escada abaixo, fazendo também mais barulho do que o necessário. Precisava se certificar de que ele realmente ouviria. Ela sempre adorara pregar peças em seus pais quando menor, e essa era beeeem velha.
-Demi?- ele chamou, partindo o beijo ofegante.
-Hã? Quem é Demi?- a garota de lábios vermelhos e carnudos perguntou, puxando-o de volta.
Se afastou rapidamente dela, que fez uma cara confusa. Ele olhou em direção à escada e viu Demi lá, deitada no final da mesma. Seus olhos se arregalaram e seu coração quase saiu para fora. A garota que antes estava quase sem roupa nenhuma, já se vestia, revirando os olhos.
-Depois a gente se fala, Hannah- ele sussurrou e correu para perto de Demi.
-O que deu em você?- perguntou, irritada. Hannah murmurou alguma palavra bem feia e bateu a porta do apartamento com tudo.
-Ei, Demi- chamou preocupado, agachando ao lado dela.
Ouviu apenas gargalhadas e mais gargalhadas em seguida. Demi abriu os olhos e se contorceu de tanto rir, assim como ela fizera com ela.
-Acho que atrapalhei seu encontro, não é?- perguntou cínica- Me desculpe!- riu novamente- Não era a intenção- fingiu-se inocente.
-Eu não acredito nisso- ele sussurrou, incrédulo. Como ela fora capaz disso?- Eu achei que tivesse acontecido algo sério.
-Estou melhor do que nunca. Jura que não conhecia essa pegadinha?
-Pegadinha ou não, isso é sério- murmurou- O que pensa que está fazendo, hein?
-Me divertindo, da mesma maneira que você fez- respondeu simplesmente.
-Eu não brinquei com nada sério.
-Brincou com a minha vida- ela disse.
-Você é realmente muito estúpida- Joe esbravejou, de forma que ela nunca tinha visto- Sabe porque é impossível gostar de você? Porque você é uma criança sem limites, você é mal educada e arrogante. Não sabe retribuir o que fazem por você.
-Você não tem o direito de falar assim comigo- ela disse, com a voz mais fraca e um pouco contida.
Joe se levantou, passando a mão no cabelo. Aquele corpo era de enlouquecer qualquer um, ainda mais Demi, que nunca tinha o visto sem camisa e agora ele ainda estava em uma posição comprometedora. Mas nada disso importava agora. A menina se encolheu um pouco, observando-o bufando raivoso.
-Eu falo o que eu quiser, porque esse apartamento é meu- gritou- E ah, você não me agradeceu uma única vez por deixar ficar aqui, mas eu não liguei. Eu te aguentei por causa da Caty, que é minha amiga. Se eu não a amasse demais, não deixaria que ficasse aqui mais um único dia. Você consegue ser pior que insuportável! Eu não me importo que alguém more comigo, mas você é o tipo de pessoa que tira a paciência de qualquer um. Isso não é só dificuldade para conviver, você é mal agradecida e...
-Você é um idiota- ela resmungou.
-Ah, eu?- questionou rindo ironicamente- Se existe algum idiota aqui, é você! Eu ouvi desaforos, deixei que fosse grossa comigo e mesmo assim você tacou mil pedras. Eu me preocupo com você, me importo e não sei porque eu faço isso. Você não merece ninguém que goste de você, não merece amor nem um pingo sequer de compaixão.
-Isso tudo é porque eu estraguei seu encontro?
-Não, o encontro é o que menos me importa agora- berrou- Você não entende, não é? Não pode simplesmente falar o que quiser na hora que desejar. Eu fiquei preocupado com você, achei que tivesse acontecido alguma coisa. Tem ideia do que você fez? VOCÊ brincou com a sua vida. E se quer saber, isso não é uma brincadeirinha, Demi.
-Porque ainda se importa?- respirou fundo, mantendo seus braços ao redor de seu corpo.
-Porque eu tenho um coração, coisa que eu não sei se você tem- respondeu- Quer saber? Se você continuar assim, vai morrer sozinha. Porque ninguém aguenta uma menina tão irritante e grossa. Tão hipócrita. É isso que você é. E quer saber, eu não sei como a Caty é amiga de alguém como você. Sabe o que mais eu acho? Que nem os seus pais te aguentam mais.
Ele estava irritado e gritava como nunca. Não achava que poderia, algum dia, perder a paciência como daquela forma que acontecia agora. As tentativas de manter a calma eram irrelevantes, sem função alguma.
-Não tenho a obrigação de ouvir você falando assim de mim- sussurrou. Sua voz estava falhando e seus olhos apertados. Assim como seu coração.
-O que foi? Não aguenta ouvir umas verdades?- perguntou sarcástico- Você é uma filhinha de mamãe, uma patricinha. A última coisa que eu deveria ter feito era deixar que morasse aqui. Mas eu decidi te dar uma segunda chance depois daquele dia do café. Depois eu te dei uma terceira, quarta, quinta. Mas chega! Você é insuportével, não é possível que exista alguém que ame uma patricinha como você. Você é fútil e ignorante. Aprenda a tratar bem as pessoas se quiser receber o mesmo.
-Eu te odeio- ela disse entre os dentes. Seus olhos já estavam marejados, mas durante anos ela prendeu o choro por necessidade.
-Ó, falou uma novidade agora- deu de ombros- É a única coisa que tem para me dizer? Você está vendo onde eu quero chegar? Você só sabe falar isso, só sabe odiar todos ao seu redor. Você ama apenas a si mesma e adivinha? Sinto muito lhe dizer que a vida não é assim. Aprenda a odiar por algum motivo, ou melhor, aprenda a não odiar. Eu não sou do tipo que fala assim com as pessoas, mas você não merece carinho. Não merece quem te faça bem ou quem te ame.
Então ele passou por ela, que permanecia no chão, encolhida, e seguiu para o seu quarto. Bufou irritado por ter falado tamanhas coisas, bufou pela situação. Não achava que fizera certo, mas iria enlouquecer se não colocasse um limite ali. Ela precisava ouvir algumas vezes. Tomou um banho, na tentativa de se acalmar. Acalmar todo o seu corpo, sua mente. Não era bom pensar durante muito tempo, pois sabia que iria pedir desculpas a ela logo logo. Só que dessa vez, ela não merecia. Ela nunca merecera nem um pingo de pena vindo dele.
Demi correu para seu quarto depois de alguns minutos, segura de que não esbarraria com ele pelo corredor. Trancou-se e quando viu, seus olhos já estavam completamente úmidos e o travesseiro encharcado. Nunca se lembrara de chorar tanto assim, nunca algumas poucas palavras tiveram tanto efeito sobre ela. Mas daquela vez, ela ouviu tudo o que sempre dissera para si mesma. Porém dessa vez, as palavras vieram da boca de outra pessoa. Alguém que não a conhecia, porém tirara belas conclusões em poucos dias.
Ela sabia que ouvira verdades, mas não, não eram assim tão verdadeiras. Ela podia estar sendo estúpida, grossa, tudo bem. Mas o que mais doeu foi ouvir tudo o que ele lhe dissera sobre amor. Ela não merecia mesmo alguém que a amasse, alguém que lhe desse carinho e paixão. Ela nunca tivera alguém assim, ou não completamente. E quando achava que havia encontrado quem a confortasse, essa pessoa jogara tudo por água abaixo. Acabara com as esperanças de que, para ela, existiria amor de verdade.
Então era isso. Sozinha ali, sozinha no mundo. Ela não era boa o suficiente para o amor. Caty deveria realmente encontrar alguém melhor. Alguém que ainda tivesse um coração. Porque o dela fora quebrado há algum tempo.

Continua...

Ok... capítulo triste, deu mesmo pena da Dems mas ela precisava ouvir umas verdades, certo? Quem sabe agora as coisas não melhoram... :)
Comentem muito, ok? Eu estou fazendo o meu máximo pra conseguir escrever rápido \o

Beijinhos,
Brubs <3